Yniologia

Yin/Yang na Medicina Tradicional Chinesa


Os conceitos Yin e Yang estão presentes no mito de criação da terra e humanidade, a história de Pan gu, e atribui-se seu mais antigo uso sistemático ao I Ching. (Cooper, Kikuchi) Contudo não há dúvidas que o cánone básico de sua aplicação à medicina é o Nei Ching "o livro de imperador amarelo".

Lê-se, no Nei Ching: " O imperador Amarelo disse:

“O princípio de Yin e do Yang - os elementos masculino e feminino da Natureza - é o princípio básico de todo o Universo. É o princípio de tudo quanto existe na Criação. Efetua a transformação para a paternidade; é a raiz e a fonte da vida e da morte, e também encontra-se no tempo dos deuses.

A fim de tratar e curar as doenças, há que investigar-se a sua origem. O céu foi criado por uma acumulação de Yang, o elemento da luz; e a terra foi criada por uma acumulação de yin o elemento das trevas. “
O Imperador Amarelo

O Nei Ching consiste basicamente no diálogo de Qi-bai (também grafado Ch'i Po) com o imperador amarelo mas é voltado para as questões práticas da adaptação ao clima, nutrição, emoções mas sobretudo num segundo tomo ou versão, o Su Wen, concentra-se na prática clínica, naturalmente com as metáforas e referências da época em que foi contado (tradição oral), escrito ou re-escrito nas distintas dinastias (Han, Tang). A título de exemplo observe-se a seguinte citação:

"O Imperador Amarelo pergunta: Ouvi dizer que o céu era Yang e a terra era Yin, que o sol era Yang e a lua era Yin. Como concordam elas, no homem?

Qi-bai responde: O que está acima dos rins (região lombar) depende do céu; o que está abaixo da região lombar depende da terra. os 12 vasos principais ((Jing - mai) correspondem assim aos 12 meses (12 ramos terrestres). A lua está em relação com a água. Eis porque está situada em baixo é Yin"''

Iniciando assim a classificação dos meridianos em suas propriedades Yin e Yang. Esse livro para o qual existem algumas traduções e sobretudo múltiplas versões, mantém uma unidade quanto ao tema que aborda e é nítida a identificação da teoria de um conjunto de explicações sobre o processo saúde doença em relação ao Yin Yang, fatores patogênicos/terapêuticos organizados sob a forma de uma fisiologia ou dinâmica vital, (Madel Luz) onde se integram com os conceitos de meridianos e a teoria dos cinco movimentos (elementos).

O estudo das noções de oposição/correlação ou par de oposições tem uma longa história de aplicações em diversas áreas do saber, tanto na China antiga como atual a exemplo o Feng Shui, assim como no ocidente a exemplo estudos de filosofia, lógica, linguística (estrutural), teoria da informação, semiótica/semiologia, psicanálise e antropologia.
[editar] Semiologia da dualidade

Em Semiologia a questão de reunir todas as oposições conhecidas na semiologia, em um modelo (paradigmático) binário, tido como universal (e por ser universal, natural) é discutida por Barthes (Barthes). Esse autor nos dá referências que contestam essa universalidade sobretudo na lingüística. Não apresenta dados concretos, mas põe em dúvida a “Lei do tudo ou nada” da transmissão neuronal e o possível mecanismo neuro-cerebral de “operação por exclusão de alternativa” e principalmente a extensão desses princípios ... “edificando-se da natureza a sociedade uma tradução digital” e não mais “analógica do mundo”... Ambos incertos (imprecisos) segundo ele. (Barthes)

Barthes afirma entretanto, que o binarismo constitui um fato muito geral, e um princípio reconhecido a séculos, de que a informação pode ser veiculada por um código binário. Segundo ele a maioria dos códigos artificiais, inventados por sociedades muito diversas, foram binários desde o “Bush Telegraph” (principalmente o “Talking Drum” das tribos congolesas de duas notas ) até o alfabeto morse e os atuais desenvolvimentos do “digitalismo”, ou códigos alternativos de “digits” da mecanografia e cibernética”. (Barthes)

Para o antropólogo Claude Lévi-Strauss uma das primeiras sistematizações sobre associação por contrariedade encontrada no estudo do totemismo (exogamia) como um traço universal do pensamento humano se deve a Radcliffe Brown (Lévi- Strauss).

Refere-se também ao mérito da psicologia associonista de delinear os contornos dessa lógica elementar que é como “o menor denominador comum de todo pensamento” lhe faltando (a Radcliffe Brown) reconhecer que se tratava de uma lógica original, ”expressão do espírito e do cérebro”, análoga a álgebra de Boole, e que se estende bem além das generalizações etnográficas do totemismo até as leis da linguagem e mesmo do pensamento (Levi-Strauss, Totemismo Hoje).
[editar] Yin/Yang e anatomia

Quanto a descrição e classificação anatômica a cultura chinesa possui ampla nomenclatura que descreve as diversas partes, pontos, regiões, órgãos e sistemas do corpo onde os princípios do Yin - Yang são aplicados, diferenciando tanto as formas como funções, por exemplo:
O Chi circula através dos meridianos em um ritmo estabelecido pela transformação do Yin em Yang sucessivamente.

* Yin : lado direito; parte anterior (ventral); parte palmar; interior do corpo; membros inferiores; tronco; cheio (sólido); órgãos /meridianos zang: fígado, coração, rim, pulmão, baço-pancreas, pericárdio.

* Yang: lado esquerdo; parte posterior (dorsal); parte volar; exterior; membros superiores; cabeça; oco, vazio (luz); órgãos/meridianos fu: intestino delgado, i. grosso, estômago, bexiga, vesícula - biliar, tríplice aquecedor (san jiao), cérebro, útero.

E assim se estende essa classificação tanto aos órgãos como aos processos fisiológicos normais e patológicos, abrangendo inclusive uma série de sinais e sintomas que são utilizados no processo diagnóstico da medicina chinesa como será visto em seguida. Entretanto, é sempre bom lembrar que cada uma das funções ou órgãos aqui divididos em grupos Yin e Yang podem ser ainda subdivididos em sucessivas classificações.

Por exemplo alguns órgãos como o coração e o rim possuem características Yang (Shao - jovem Yin) enquanto que o pulmão e baço-pancreas características Yin (Tai - grande Yin) apesar de todos em sua constituição ser classificados como Zang (órgãos) de natureza Yin.Analisando-se o coração pode-se ainda diferenciar o Yin cardíaco (a sístole - a massa muscular) do Yang cardíaco (a diástole, as cavidades) e assim sucessivamente.

Eis uma breve síntese da aplicação desses conceitos ao conjunto de sinais e sintomas usualmente identificados na semiologia médica.

* Yin: processos crônicos; tendência à obesidade; congestão; passiva; hipotermia; tonus muscular diminuído; flacidez; sensibilidade diminuída; pele úmida, fria; sonolência; voz apagada; pessimismo; olhar apagado; aspecto alquebrado; timidez; depressão; inibição; distensão; contração; equilíbrio estático; coma, estupor.

* Yang: processos agudos; tendência ao emagrecimento; inflamação; febre; tonus muscular aumentado; espasmo; sensibilidade aumentada; pele seca, quente; insônia; voz vibrante; otimismo; olhar brilhante; aspecto arrogante; desembaraço; ansiedade; excitação; tensão; dilatação; alteração dos movimentos; convulsão.

[editar] Diagnosticando através do sistema Yin - Yang

A partir da desarmonia e/ou interrupção do fluxo dessa energia (Yin/Yang) é que se pode estabelecer os desequilíbrios endógenos e/ou a vulnerabilidade aos agentes agressores externos (frio, calor. Chi impuro, etc.)

As síndromes Yin – Yang causadas por esse desequilíbrio, podem ser basicamente subdivididas por causas como:

* tipo Xu (deficiência) ou seja aquelas provocadas por uma baixa resistência corpórea devida a hipofunção ou insuficiência de certos materiais;
* e tipo Shi (excesso) indicando agressão por agente nocivo externo em presença de uma resistência orgânica normal. (Livro dos 4 institutos; Auteroche - Navailh)

A preponderância do Yin sobre Yang em presença do fator patogênico Yin caracteriza a síndrome frio do tipo Shi (excesso).

A deficiência da energia Yang com níveis adequados dos fatores Yin caracteriza a síndrome do frio tipo Xu (deficiência).

A preponderância do Yang sobr Yin em presença do fator patogênico Yang caracteriza a síndrome do calor do tipo Shi (excesso).

A deficiência de Yin com níveis adequados da energia Yang caracteriza a síndrome do calor tipo Xu (deficiência). (Livro dos 4 institutos; Auteroche - Navailh)

A caracterização Yin - Yang das diversas situações patogênicas e patológicas é essencial no processo diagnóstico, contudo para ser concluído e portanto permitir a melhor opção terapêutica que restabeleça o equilíbrio do organismo faz-se necessário identificar os fatores internos - meridianos ou órgãos atingidos bem como os agentes patogênicos aos quais o organismo está exposto.

Na medicina chinesa as doenças são vistas como um desequilíbrio causado por agentes externos (vento, secura, calor, umidade e frio) associados a sentimentos ou estados emocionais (raiva, medo, alegria, “preocupação” e tristeza) (Sussmann) a exemplo do reumatismo denominado como “doença” do frio da tristeza e da umidade; ou emoção depressiva levando o Chi do “fígado” (madeira) a invadir o “estômago” (fogo) causando gastrite; e ainda o vento penetrante no mar de medula causar uma paralisia equivalente ao que chamamos acidente vascular cerebral essas combinações são explicadas, como alterações do fluxo habitual de Chi (Yin ou Yang) que resultam no excesso ou falta dessa energia nos diversos órgãos e meridianos. (Auteroche ; Navailh) Esses meridianos e suas relações são também explicadas pela Lei dos 5 elementos que os classifica como água, fogo, terra, metal e madeira. (Livro dos 4 institutos; Sussmann; Wen; Auteroche; Navailh)

O prognóstico e terapêutica deve ainda levar em conta, além dos fatores ambientais e psicológicos a qualidade do Chi ancestral ou Jing Chi na síndrome Dian xian (vento da cabra louca) ou epilepsia considera-se a dimensão do dano ao Yin ancestral (pré natal) (Scott) nos remete para essa informação ao Su Wen do Nei Ching onde consta a observação que "o susto (surpresa, alegria) enquanto o bebê está no útero faz o Chi subir e perturbar o Yang puro dando origem à epilepsia" reforça essa idéia citando um livro médico da dinastia Ming o Zhou ZhiGan (Dádiva das almas) onde se lê: " Dian xian surge da insuficiência de Yin ancestral antes do céu (pré natal); o fígado patologicamente torna-se muito terra e lesa o coração" O coração pode ser afetado tanto por sentimentos tipo alegria e susto (surpresa) como pela energia que recebe do meridiano do fígado como foi referido. (Scott)

Nas concepções populares de dano fetal susto, passar raiva, ter desejos não satisfeitos e podem explicar defeitos congênitos.

Os chineses identificavam também dano ao Chi ancestral nos quadros de retardo mental - "fraqueza da essência ou sangue da mãe por insuficiência do Chi do útero que lesa o baço e/ou rins" Distinguem formas curáveis dos quadros irreversíveis e também consideram a etiologia pós natal onde incluem a desnutrição causando deficiência do Chi e do Sangue. (Scott)

Ainda sobre processo diagnóstico e dimensão dos fatores exógenos Lê-se no Nei Ching: "Quando o Yang é mais forte, as pessoas podem suportar o inverno, mas não suportam o verão...quando o Yin é mais forte as pessoas podem suportar o verão mas não suportam o inverno" O Ling Shu complementa esclarecendo que as doenças Yang acontecem no inverno (no caso tipo xu - deficiência) e as doenças Yin acontecem no verão identificando ainda 5 agentes patogênicos, a saber:

* O xié (fator patógeno) que penetra no Yang e provoca o Kuang (acesso maníaco).

* O xié (fator patógeno) que penetra no Yin e provoca o xué-bi (bloqueio de sangue).

* O agente patogênico que penetra no Yang e se transforma na doença do Dian (vértex), cefaléias, ou vertigens.

* O agente patogênico que penetra no Yin e transforma-se em "Yin" (afonia) perda da voz.

* O agente patogênico do Yang que penetra no Yin suscita uma doença do equilíbrio (estática - o Yin representa o repouso). O agente patogênico saindo pelo Yang, provoca uma doença de movimento (riso, cólera). O Yang configura o movimento."(Ling Shu / Ming Wong)

[editar] A teoria do Yin/Yang e as pesquisas atuais da medicina

Etnobiologia X cibernética da regulação nervosa

A rigor os conceitos Yin - Yang associados à Zang - Fu (Fou) são utilizados na doutrina médica e dinâmica vital da medicina tradicional chinesa. Cabe aos acupunturistas modernos integrar e verificar até que ponto a teoria chinesa do Yin / Yang pôde dar conta das novas realidades orgânicas (inclusive molecular ou celular), sobretudo numa perspectiva da bio-cibernética da regulação orgânica.

Tanto a fisiologia do estudo da compreensão da regulação homeostática como estudos da ação da acupuntura, podem beneficiar-se do estudo da teoria da informação e dos sistemas e cibernética . A cibernética, segundo Norbert Wiener ,seu criador, é a ciência da regulação e controle no animal e na máquina). (Dumitrescu, Pires, Ashby).

Os processos fisiológicos normais e patológicos podem ser abordados nesse sistema descritivo, classificatório da tradição chinesa. Na MTC o homem é um microcosmo, e como tal, as leis cósmicas nele atuam como o fazem na natureza. Ele tem suas variações de energia com seus próprios movimentos e ciclos para assegurar sua permanência e adaptação diante da entropia.

Um claro exemplo da percepção chinesa dessa dinâmica são as descrições que assinalam o aumento da energia Yin durante a noite e Yang durante o dia, um padrão de organização temporal semelhante ao utilizado em neurofisiologia que identifica o predomínio das ações do sistema nervoso simpático durante a vigília e o dia em oposição ao predomínio parasimpático durante o sono e à noite.

Contudo ainda é uma hipótese ambiciosa relacionar a integração do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) ao Sistema Nervoso Central (SNC) e Endócrino aos padrões energéticos e cíclicos Yin - Yang pois os mecanismos que apontam a existência de relógios biológicos ou marca passos internos dos ritmos do cérebro (a exemplo do núcleo supra quiasmático do hipotálamo) ou marcadores celulares do envelhecimento (telômeros?) apenas começam a ser conhecidos pela neurociência.

Um teoria consistente e aceita propõe que as duas grandes funções classicamente atribuídas ao sistema nervoso autônomo podem ser identificadas constituindo os sistemas ergotrópico (inicialmente indicado como mecanismos de fuga-luta) para mobilização e utilização de energia e Trofotrópico conservação retirada (reposição de energia), conforme a denominação proposta por Hess. (Engel)

No primeiro o sistema ergotrópico envolve um conjunto de atividades metabólicas controladas por O ACTH (adrenocorticotrópico), 17OHS (hidroxicortisona), corticosteróides; Adrenalina, noradrenalina hormônio antidiurético a aldosterona hormônio tireóidiano, hormônio do crescimento; insulina estrogênios, testosterona metabólitos androgênicos.

A ação do sistema trofotrópico em tese corresponde equivalente à ação do sistema parassimpático e/ou uma defesa das emoções ou ação do simpático. Para a sensação de fadiga e mecanismos do sono existem vários mecanismos propostos, sabe-se que todas as atividades do simpático e algumas do parassimpático estão inibidas, há algum decréscimo da atividade motora e do tono muscular incluindo freqüência cardíaca mais lenta, pressão sangüínea mais baixa e rendimento cardíaco reduzido, sensibilidade diminuída no centro respiratório a CO2, queda do pH e redução da ventilação; redução da secreção e fluxo sangüíneo para o estômago e tubo intestinal; diminuição do estado de excitação (atenção) queda aos níveis básicos ou abaixo destes da adrenalina, noradrenalina, ACTH, 17-OHS e hormônio do crescimento. (Engel)

Numa síntese, sem dúvida precipitada, teríamos na classificação chinesa alguns fenômenos fisiológicos onde é possível identificar-se a função e natureza da informação:

* YIN: Sistema Trofotrópico: Atividade do centro de saciedade nutricional - Hipotálamo ventro-medial; Sistema Nervoso Parassimpático; Acetilcolina; Glucagon; hormônio tireoestimulante em processo de elevação diante da diminuição do nível sérico dos hormônios tireoidianos.

* YANG: Sistema Ergotrópico: Atividade do centro do apetite - Hipotálamo lateral; Sistema Nervoso Ortossimpático; Adrenalina – Noradrenalina; Insulina; hormônio tireoestimulante em processo de redução diante da elevação do nível sérico dos hormônios tireoidianos.

Esse estudo requer uma atenção especial para semelhança entre ação antagonista de um sistema e agonista do outro ou seja conseguimos um mesmo efeito estimulando um sistema ou inibindo seu oposto. Na linguagem binária pavloviana, podemos excitar ou inibir cada um dos processos seja de excitação ou inibição. A imagem do choque de ondas circulares de diferentes origens num lago ilustra a idéia do processo de propagação de mensagens entre populações de neurônios tal qual a metáfora da energia nos meridianos.

Além de proporcionar modelos de comparação / explicação para os efeitos da acupuntura no condicionamento seletivo da salivação, outros hábitos digestivos, cardiovasculares, posturais e sobretudo permitindo comparar com o efeito de drogas antiinflamatórias e analgésicas.

Há notável semelhança no uso dos conceitos de excitação e inibição. No sistema de classificação chinês dos órgãos Zang - Fou (Fu).

* YIN: Atividade dos órgãos ZANG: Depuração, Redistribuição e Armazenamento do Chi e das substancia fundamentais (sangue e fluidos corpóreos)

* YANG: Atividade dos órgãos FU: Produção de energia, Recepção, digestão de alimentos, Condução e excreção de resíduos

Apesar das diversas semelhanças e coincidências, não se deve esquecer que a medicina tradicional chinesa é um sistema, completo em si, quanto a diagnóstico e tratamento, ou seja possui seus próprios métodos de identificar e classificar os diversos sinais e sintomas em diferentes conjuntos ou síndromes, adotando diferentes procedimentos ou técnicas para cada caso.



Existem duas principais correntes de pensamento que explicam as origens do Taoísmo.

1- A primeira considera-o a evolução de um animismo primitivo e de práticas mágicas, e para sustentar esta teoria, existe a lenda do Imperador Amarelo, que viveu há cerca de três mil anos antes de Cristo, segundo a qual ele teria recebido ensinamentos de magia, misticismo e amor de suas três Mulheres, ou Servas imortais.


2- A Segunda é que a doutrina do Tao já existisse anteriormente, o Taoísmo clássico somente teve seu início com Li Erh, popularmente conhecido como Lao Tse (o Velho Filósofo ou o Velho Garoto), que viveu por volta do ano 600 a. C. A filosofia criada por ele foi desenvolvida mais tarde por Chuang Tzu, transformando-se em refinados ensinamentos metafísicos, bem como em um protesto contra a magia e as superstições populares. Se o Imperador Amarelo estudou a magia associada ao Tao, parece razoável supor que o elemento mágico, mais tarde tão evidente no Taoísmo decadente, estivesse presente desde o início, embora fosse considerado indesejável e irrelevante, razão pela qual foi expurgado dos ensinamentos de Lao Tzu e de Chuang Tzu. Seja considerando-se a primeira, seja considerando-se a segunda teoria, fato é que inexistem textos autênticos, além de apenas alguns fragmentos, anteriores ao Tao Te Ching, de Lao Tse, e ao Livro de Chuang Tzu; fato é que o Taoísmo clássico, tal como é hoje conhecido, tem por base esses escritos. Nunca uma filosofia de âmbito universal repousou sobre bases tão estreitas, foi o livro mais traduzido depois da Bíblia, consiste em apenas cinco mil palavras.


3- Taoismo é filosofia da relações e da arte de viver; trata da plenitude da natureza e do lugar que nela o homem ocupa. É a filosofia do ritmo da vida e da simplicidade da mente e do espirito, bem como a ausência de atividade premeditada. A presença da espontaneidade, do equilíbrio e da harmonia. Trata-se de usar a luz interior para retornar à clareza natural da visão e do viver em contato com o mundo.


4- Objetivo: O objetivo fundamental do Taoismo é a obtenção de equilíbrio e de harmonia entre o Yin e o Yang


5- O equilíbrio leva o homem ao seu ser original afastando assim o artificial e ilusório causando a disperção.


6- Este equilíbrio e esta harmonia devem ser obtidos tanto no próprio homem como no mundo, até que os dois sejam Um; contudo, é inútil tentar impor tal noção ao mundo de fora para dentro: uma pessoa só pode reformar o seu próprio ser, e até que o ser esteja em equilíbrio e tenha alcançado a total inocuidade, tanto em relação a si mesmo, como em relação aos outros; ela nada pode oferecer de digno ao mundo em geral. E por esta razão que o Taoísmo e o Confucionismo sempre transmitiram seus ensinamentos através de exemplos.


7- O Taoísmo recorre com freqüência ao paradoxo para transmitir seus ensinamentos; e um de seus paradoxos é que a simplicidade é necessária para se lidar com as complexidades da vida, tanto na natureza humana como no próprio ser. Ampliando esse paradoxo, poder-se-ia dizer que a simplicidade é extremamente difícil., Fácil é complicar as coisas, envolver-se na trama incógnita do pensamento, em análises, em críticas severas, fácil é usar a imaginação, é reagir a idéias convencionais, preconceitos e preferências; fácil é abandonar-se a "algo para fazer" ou a "algo em que pensar", ao invés de se tentar acalmar a mente irrequieta e descobrir a futilidade da ação premeditada, que só conduz à separação, à resistência.


8- A metade dos chamados problemas da vida são criados por esta mente irrequieta para alimentar sua necessidade de "algo para fazer" e para desviar sua atenção da única ação válida, o Wu-Wei, ou a ausência de atividade, que lhe possibilita acalmar-se, cessar suas futilidades e ver a si mesma e a todas as coisas como realmente são, obtendo, assim, o equilíbrio e a harmonia que transcendem a ambas, ação e não-ação, e que permitem manter um desligamento em meio à atividade e a prontidão para a ação necessária no estado de desligamento, Wu-Wei Também proporcionam a capacidade de dar sem esgotamento ou diminuição de força.


9- Para o Taoísmo, o homem näo é a medida do universo. Todas as coisas vivas compartilham da Natureza, nela têm seu lugar e com ela se relacionam, além de fazerem parte do yin e do yang. O elemento natural é o que deve regular todas as coisas. "O Sábio acompanha a Natureza ao estabelecer ordem; ele mesmo não inventa princípios." A posição do homem é a de mediador entre as Duas Grandes Forças- Céu e Terra-, e seu dever é manter o equilíbrio entre elas, física, mental e espiritualmente. O homem ocupa a posição central, o Meio, chamado no Taoísmo e nó Budismo.de Caminho do Meio, localizado entre os dois extremos - uma posição que possibilita ao homem comunicar-se com ambos os mundos, e um ponto de vista a partir do qual os opostos podem ser vistos tanto em sua relatividade e aspectos contrários, como em sua unidade.


10- O homem deve trazer o elemento espiritual para a terra e elevar a terra ao espiritual: Isso se consegue mantendo y,in e yang em equilíbrio, evitando-se todos os extremos e estabelecendo a harmonia. Não é sem razão que o Meio é chamado de "o meio feliz".

11- No Taoísmo, o Um primordial transforma-se em Dois na criação, o Dois transforma-se em Três, e assim por diante em uma multiplicidade sempre crescente no reino dos fenômenos e da manifestação. Esta multiplicidade é chamada de As Dez Mil Coisas, " Dez Mil" representando o incontável. O Tao, na condição de Um.


12- O Tao está além da mente racional; como um objeto de pensamento, não pode abarcar o pensamento em si, podendo apenas ser expresso simbolicamente, ou vivenciado até certo ponto em estados supra-racionais de intuição e misticismo. É o Não-Manifesto; algo que sempre existiu por toda a eternidade. " Descobri-lo" significa apenas enxergar o que sempre existiu. Não pode ser adequadamente expresso, uma vez que é o Inexprimível. Chuang Tzu o chama de Ta T'ung, o Grande Infinito, livre de toda determinação, onde não existem espaço e tempo. Ele diz que o Tao só pode ser entendido por inferência.


13- O Uno e o Múltiplo nunca podem ser separados, já que nenhum deles tem qualquer significado, senão em relação um com o outro. Tal noção pode ser encontrada simbolicamente na tecelagem, através da combinação dos muitos fios que compõem um mesmo tecido: o yin horizontal unido ao yang vertical na interação do movimento de ir e vir, no fluxo alternante, que contém ambas, a possibilidade e a probabilidade de intercâmbio e troca, que resultam na unificação final de forças aparentemente conflitantes.



14- O Taoísmo tradicional, ou,clássico, é a mais intelectual de todas as religiões ou filosofias, mas não há nada de unilateral nele: envolve o homem por inteiro, mental, emocional e espiritualmente. Não só inclui a sabedoria de Lao Tzu e a poesia metafísica de Chuang Tzu, como tamm foi a fonte de inspiração para a pintura e a poesia mais requintada e evocativa, indo do sublime ao humorístico ou cáustico, deu origem a uma civilização mestra em todas as artes e ofícios.

15- O Taoísmo adota como religião um ponto de vista antes cosmológico do que teológico. Busca a força criativa na Natureza, e não em uma força exterior, apartada da coisa a que dá origem. "O místico taoísta, absorvido pela vastidão do cosmos e identificando-se com ele, sentia-se impregnado por todas as forças do próprio universo.

Os 8 Trigramas
| | | qián Céu
: : : kūn Terra
| : : zhèn Trovão
: | : kǎn Água
: : | gèn Montanha
: | | xùn Vento
| : | Fogo
| | : duì Lago





Trigrama

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Arranjo do Céu Posterior com os nomes dos trigramas em chinês
Os Trigramas (卦) (pinyin: guà) são desenhos que correspondem às 8 possibilidades de combinação de Yin Yang em três linhas. São elementos que estruturam o livro chinês I Ching (易經) (pinyin: yì jīng).
A representação dos oito trigramas desenhados em torno de um mesmo centro é chamado em chinês de Bagua.

Índice

[esconder]

[editar] Trigramas

Os trigramas são sequências formadas por três linhas, compostas pela combinação de linhas contínuas ( ____ ) e linhas quebradas ( __ __ ).
As linhas contínuas representam o Yang (o convexo, a força, o movimento) enquanto as linhas quebradas representam o Yin (o concavo, a fraqueza, a quietude).
Estas linhas agrupadas em pares originam os quatro bigramas.
Através da adição de uma linha aos bigramas são constituídos os trigramas, representações básicas dos fenômenos da natureza.

[editar] Os oito Trigramas

Esta tabela foi construída com os trigramas desenhados na vertical, o mais usual é representá-los na horizontal, considerar a linha mais à esquerda como linha inferior.
Derivação dos 8 trigramas segundo Fuxi.
Os 8 Trigramas
| | | qián Céu
: : : kūn Terra
| : : zhèn Trovão
: | : kǎn Água
: : | gèn Montanha
: | | xùn Vento
| : | Fogo
| | : duì Lago
A representação vertical dos trigramas torna mais aparente o motivo pelo qual podem ser lidos também como representações numéricas pertencentes a um Sistema binário. Assim, se tomarmos o "1" como representação do Yang e o "0" como representação do Yin, o trigrama da Terra poderia ser escrito como "000" e o do Céu como "111".

[editar] Dos Trigramas aos Hexagramas

Os 64 hexagramas do I Ching são obtidos através da combinação de dois trigramas.
Esta tabela foi construída com os hexagramas desenhados na vertical, o mais usual é representá-los na horizontal, considerar a linha mais à esquerda como linha inferior.
Para um quadro com todos os hexagramas do I Ching representados na horizontal, ver o artigo da Wikipédia Hexagramas (I Ching).
Os 64 Hexagramas



Céu Terra Trovão Água Montanha Vento Fogo 'Lago



qián kūn zhèn kǎn gèn xùn duì



| | | : : : | : : : | : : : | : | | | : | | | :
Céu qián | | | | | | | | | | | | : : : | | | | : : | | | : | : | | | : : | | | | : | | | | | | : | | | | | | :
Terra kūn : : : : : : | | | : : : : : : : : : | : : : : : : | : : : : : : | : : : : | | : : : | : | : : : | | :
Trovão zhèn | : : | : : | | | | : : : : : | : : | : : | : : : | : | : : : : | | : : : | | | : : | : | | : : | | :
Água kǎn : | : : | : | | | : | : : : : : | : | : : : | : : | : : | : : : | : | : : | | : | : | : | : | : | | :
Montanha gèn : : | : : | | | | : : | : : : : : | | : : : : | : | : : : | : : | : : | : | | : : | | : | : : | | | :
Vento xùn : | | : | | | | | : | | : : : : | | | : : : | | : | : : | | : : | : | | : | | : | | | : | : | | | | :
Fogo | : | | : | | | | | : | : : : | : | | : : | : | : | : | : | : : | | : | : | | | : | | : | | : | | | :
Lago duì | | : | | : | | | | | : : : : | | : | : : | | : : | : | | : : : | | | : : | | | | : | : | | | : | | :
Ao substituir as linhas contínuas por 1 e as quebradas por 0 o I Ching se configura como uma tabela de números binários. Quando o famoso matemático Leibniz conheceu o I Ching ficou maravilhado com a semelhança deste com o sistema binário que concebera.

[editar] Descrição de cada trigrama

Trigrama Ideograma Pinyin Imagem natural Qualidades Outras imagens
Trigramme qián du Yi Jing qián o Céu
Criatividade, força,
iniciativa
O Criativo, o cavalo (bom, velho, magro, selvagem), o pai, a cabeça, o redondo, o príncipe, o jade, o metal, o frio glacial, o vermelho escuro, um fruto...
Trigramme kūn du Yi Jing kūn A Terra
Disponibilidade, adaptabilidade,
referência, senhor de si
O receptivo, o búfalo, a mãe, o ventre, um étoffe, um caldeirão, a economia, a igualdade, o velho com o búfalo, um grande char, a multidão, o tronco, o sol noir parmi les autres...
Trigramme zhèn du Yi Jing zhèn O Trovão
Impulsão, mudança de rota, O Incitar, o dragão, o 1º filho, o pé, o amarelo escuro, uma grande rue, un roseau ou un jonc...
Trigramme kǎn du Yi Jing kǎn A Água
Profundidade, resiliência, O Insondável, o porco, o 2º filho, a orelha, les fosses, les pièges, o arco e a flecha, o sangue, o vermelho, a lua, a madeira firme com muitas marcas...
Trigramme gèn du Yi Jing gèn A Montanha
Rigor, coesão,
calma, solidez
A Imobilidade, o cão, o filho mais jovem (3º), o caminho tortuoso, as pedras, as portas, os frutos, as sementes, a madeira firme e nova...
Trigramme xùn du Yi Jing xùn O Vento,
A Madeira
Penetração, submissão,
interiorização
A Suavidade, o galo, a 1ª filha, les cuisses, le corbeau, o trabalho, o branco, o longo, o alto, o indeciso...
Trigramme lí du Yi Jing O Fogo
Clareza, lucidez,
vivacidade
O Aderir, a fênix, a 2ª filha, o olho, o brilhante, o escudo e a armadura, a lança e os braços, la sècheresse, a tartaruga (la tortue), o caranguejo (le crabe), o escargot (caracol), a árvore ressecada no alto...
Trigramme duì du Yi Jing duì O Lago
Expressividade e comunicativo,
alegria, vivacidade
A Alegria, o carneiro (le mouton), a filha mais jovem (3ª), a boca (e a língua), a feiticeira, ecraser briser en morceau, a vizinha(la voisine), o sol duro e sallé...