segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dados Históricos da Medicina Chinesa

 Histórico da MTC :

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é tão antiga quanto a
humanidade. Pode-se dizer que ela existe desde quando o primeiro homem
pressionou e massageou seu corpo instintivamente ao sentir dor.
O primeiro nome que a tradição guardou foi Fu Hi (2953 ac) fundador
da civilização chinesa, ao qual foi atribuído a invenção da caça, e do
cozimento dos alimentos. Atribui-se a ele a criação dos oito hexagramas do
livro das mutações-I Ching.
Seu sucessor foi o Imperador Cheng Nong (2838 ac) o qual ensinou
às pessoas plantas curativas e assinalou as tóxicas.
Os conhecimentos foram transmitidos por meio oral até a dinastia
Chou (1122 a 256 ac) quando do aparecimento do Huang Di Nei Jing Su
Wen. Não se sabe quem foi seu autor, mas supõe-se que tenha sido escrito
por muitos médicos, cuja autoria fora atribuída ao legendário Imperador
Huang Di . Esse livro contém toda base filosófica, ciência do diagnóstico e
tratamento por meio de agulhas e moxa.
Quase toda MTC se baseia no Nei Jing, o qual desfruta de grande
autoridade, pela riqueza de observações que contém seus ensinamentos
sobre prevenção e tratamento de doenças. Quase todas obras posteriores
foram inspiradas nesse livro.
Nesse mesmo período, o famoso médico Pien Chueh descreveu a
ressuscitação de uma pessoa considerada morta, com o uso de agulhas.
Numerosas passagens difíceis foram retomadas no Nin Jing, atribuído
a Pienn Tsio (300 ou 500 ac).
Outra bibliografia que resistiu ao tempo foi a de Chouen yu yi,
contemporâneo de Pien Tsio. Ele soube diagnosticar especificamente uma
cirrose hepática, uma hérnia estrangulada, um ataque de gota, uma
hemoptise justificando a terapêutica indicada em cada caso.
No período de desunião (221 - 589) foi descrita a regra de diagnose
pelo pulso radial.
No início da dinastia Han, assinala-se a existência de uma mulher
médica, e as primeiras mulheres médicas foram reconhecidas oficialmente
no início do século XIV da dinastia Yuan. Esse fato mostra-se de suma
importância, uma vez que uma paciente do sexo feminino não podia despirse
diante de um médico. Normalmente, as chinesas utilizavam estátuas ou
bonecas para indicar a ele o local onde sentiam dor.

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No final da dinastia Han, foi escrito Chang Tsung Jing, livro que
descreve o tratamento da malária pela acupuntura, moxa, ervas e de
quimioterápicos.
Na dinastia T'ang (sec. VII a VIII) a medicina atingiu seu apogeu,
dividindo-se em quatro especialidades. Primeiro vinham os médicos e
pulsólogos que tratavam da medicina interna e externa, doenças pediatricas
, da boca, nariz e garganta. Depois vinham os acupuntores, seguidos dos
massagistas, que também utilizavam técnicas respiratórias e de redução de
fraturas; e por último, os geomancistas e mestres em sortilégios.
Na dinastia Sung (960 - 1279) o Rei Sung Jen Tsung foi curado pela
acupuntura e passou a dar-lhe grande importância. Ordenou a um médico
famoso, Wang Wei Yi, organizar escritos sobre o assunto, bem como mapas
e diagramas dos meridianos. Instituiu a primeira faculdade de acupuntura e
foi confeccionado estátuas de bronze para exame dos estudantes.
Na dinastia Ming (1368 - 1643 dc) foi publicado o Zhen Jiu Da Cheng
(grande perfeição das agulhas e da moxa) escrito por Yang jizhou, que
fornece resumos de todas as obras conhecidas, desde o Nei Jing até seu
aparecimento.
Na dinastia Chin (l649 - l9l0 d.c.) Fan Pei Lan escreveu sobre
tratamentos combinados das ervas e moxabustão e selecionando pontos
simples. Os governantes desta dinastia baniram a pratica da acupuntura, a
qual continuou a ser praticada clandestinamente.
A medicina ocidental provou sua eficiência em assuntos como
epidemia e operações cirúrgicas, o que atraía os estudantes. As escolas de
medicina tradicional foram aos poucos, sendo abandonadas, e após a
revolução de 1912 só restavam oito.
De 1945 a 1949 ocorreram lutas entre as duas forças que disputavam
o poder político: Chiang Kai Shek (revolucionário) e Mao tse tung
(comunista). Em primeiro de outubro de 1949 foi proclamada a República
Popular da China sob a liderança de Mao Tsé.
No ano seguinte, desencadeou-se uma revolução sanitária pelo I
congresso Panchinês dos trabalhos da saúde pública, onde preconizou-se a
profilaxia, a atenção médica voltada principalmente a operários,
camponeses e soldados, e ainda uma colaboração entre médicos de
formação ocidental e oriental. Dessa maneira, a medicina tradicional era
oficialmente reconhecida.

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Com a china saneada, reorganizaram estudos médicos, construíram
faculdades, escolas e colégios médicos nas grandes cidades, e Mao tsé
definiu que a linha a ser seguida era a coexistência da medicina popular e a
medicina moderna.
"Embora Mao tsé tenha promovido a associação da MTC com a
medicina do oeste, a china atual não adimite os conceitos taoístas, que
estão descritos nos textos clássicos sinomédicos, muito antigos, e no
entanto, tão atuais ....". (Dulcetti , 1993).
Em l974, foi criado em Pequim um instituto de pesquisa científica em
medicina tradicional, e até 1958 já haviam 27 institutos semelhantes com
objetivo de determinar o valor da medicina popular através de metodos
científicos modernos.
Em 1958 começou-se a praticar analgesia por acupuntura. Realizouse
a primeira amigdalectomia sob analgesia por acupuntura, com sucesso.
O método extendeu-se para cirurgias bucais, tireoidectomia, herniorrafia,
remoção de tumores cerebrais, cirurgias de tórax, abdomem, pelvis e
extremidades. Os chineses surpreenderam o mundo ao mostratem pela TV
um de seus compatriotas sorrindo sobre a mesa cirúrgica enquanto era
submetido à uma gastrectomia através da analgesia acupuntural.

As teorias básicas da MTC

Tao é a realidade e a energia primordial do universo, o fundamento do
ser e do não ser. Conforme escreveu Chuang tsé:
"O Tao possui realidade e clareza, mas nenhuma ação ou forma.
Pode ser transmitido, mas não recebido. Pode ser atingido, mas não visto.
Existe por si e através de si. Existia antes do céu e da terra, na verdade, por
toda a eternidade. Ele é a razão da divindade dos Deuses e da criação do
mundo. Está acima do zênite, mas não lhe é inferior. Embora mais velho do
que o mais idoso, não é velho".

Os chineses acreditavam na existência de uma realidade última que é
subjacente e que unifica todas as coisas e fatos que observamos,
denominada de Tao.
O Tao é o processo cósmico no qual se achavam envolvidas todas as
coisas; o mundo é visto como um fluxo contínuo, uma mudança contínua.
Existem padrões constantes nessas mudanças, que podem ser
observados pelos homens.
O sábio reconhece esses padrões e dirige suas
ações de acordo com eles. Assim, ele se torna "Uno com o Tao", vivendo
em harmonia com a natureza e obtendo sucesso em tudo que realiza.
Lao tsé ensina que Tao (cujo significado pode ser "caminho") não
passa de um termo aceitável para o que fora melhor chamado "o
Inominado". Nada lhe predica sem comprometer sua integridade. Dizer que
existe é excluir o que não existe, apesar de o vazio ser sua verdadeira
natureza. As palavras limitam, e Tao não tem limites.
A característica principal do Tao é a natureza cíclica de seu
movimento e sua mudança incessantes. Essa idéia é a que todos os
acontecimentos na natureza apresentam padrões cíclicos de ida e vinda, de
expansão e contração.
A idéia de padrões cíclicos no movimento do Tao recebeu uma
estrutura precisa com a introdução dos opostos polares Yin e Yang. Todas
manifestações do Tao são geradas pela interrelação dinâmica dessa duas
forças polares.

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